“É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.”

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Soluços

" Partir pra um lugar bem longe. Fugir de tudo que machuca e doi e corroi e rasga e fere... Tudo que te mata devagar, porque a pior morte é a lenta. Aquele que vai te machucando, que vai transformando tudo em vermelho sangue.
Chega um momento que você fica esgotada, sabe? Que você chama por um Deus que não te responde nunca, que parece não estar ali. E você vai definhando de vagar, de vagar, de vagar. Como uma rosa que era linda e todos admiravam e que um dia simplismente nasceu mortar."

Quantas noites, meu Deus, eu estive chorando, com uma dor gigante em meu peito? Lágrimas que escorriam quentes e súplicas feitas desesperadamente. Quantas? Nem lembro. Perdi as contas. Quantas, quantas, quantas?
É tanto medo de perder nesse jogo, nessas jogadas. Tanto de medo de ficar seca, dura.
Foi tantas quedas, tantas lágrimas e NENHUM reconhecimento. Foi tantos sei lá o que meu Deus.
...
Olha, é que eu te preciso tanto aqui perto. Te falar de bobagens. Olha, é que eu imaginei coisas que poderiamos fazer. É que eu imaginei tantas coisas.
Mas parece que você não ouve, não ver. E tudo que era bonito caindo. Ah, preciso tanto do teu braço ao redor da minha cintura, te ouvir dizer coisas bonitas e sentir teu cheiro. É que eu preciso tanto de você e das suas coisas e dos seus defeitos e das suas qualidades. É que eu preciso completamente de ti, sem metades.
 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Extremos da paixão²

" Sete dias. Uma semana. Quanto tempo?
Um olhar. Um sorriso. Nada. Nada que pudesse me preencher.
Andas tão estranho, tão longe, tão seco e cruel.
O que fizeram contigo, com a gente? "


01:00 da madrugada. Levanta-se. Caminha até a cozinha. Abre a geladeira [tentando e não tentando afastar a imagem dele]. Fecha. Vai para o quarto. Senta na cama.
E assism seguiu a madrugada toda. Uma tal de insonia que não a deixava. Ele que não a deixava. Acendeu um cigarro, bebeu uma dose de wisk. Sentiu que iria chorar. Não chorou. Não choraria mais. A visão foi ficando embassada. Cinza. Deitou.
 Ele estava na sua frente sorrindo. Ela parada apenas o olhava, o desejava, o sentia antes mesmo de toca-lo. Não se sabia quando ou como ele tinha chegado ali, só se sabia que ele estava ali em sua frente. Barba de dois dias, tinha um grande sorriso nos lábios, mas por dentro parecia duro, intocável, distante. Ele chegou  perto dela, sentou-se ao seu lado e segurou sua mão. Nenhuma palavra. Nenhum gesto. Ela sorriu. Ele aproximou seu rosto do dela, baixou um pouco o queixo e beijo-a demoradamente. Apertando-a forte... entrelaçados de lingua. Desejo. Sua boca emcaminhou-se para a sua orelha. Pescoço. Segurou forte seu cabelo. Ela disse " eu te amo". Ele não disse nada. Desceu a mão, apertou as coxas dela e ali mesmo, naquele lugar indecifrável eles se completaram. Nus. Um do lado do outro. Ela olhou pra ele. Ele estava de olhos fechados. Ela sorriu e também, fechou os olhos e disse que o amava. Ele não disse nada.
Um vento suave, frio tocou em sua face, o que a levou a abrir os olhos e ao olhar para o lado ver um copo de wisk, cinzas de cigarro, quarto fechado e somente sua respiração por dentro. Por fora. Por dentro.
Agora tinha a mão estendida para abrir a porta. Descer. Partir e não voltar.